24 de abril de 2011

A última mensagem de páscoa


“Porque, naquela noite, passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até aos animais; executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o SENHOR.” (Êxodo 12:12)

Esse foi o aviso que Deus deu a Moisés. Deus lhe tinha dito que deixariam o Egito e a escravidão. O sangue nas portas das casas dos israelitas seria a proteção dos que fizessem parte do povo de Deus. Os egípcios sofreriam a ira. Daquele em dia em diante o povo jamais seria escravo dos egípcios. E é por isso que páscoa é a passagem da morte e escravidão para uma vida de alegrias na liberdade de Cristo.
Quantos ovos de chocolate já comemos? Quanto dinheiro já gastamos com decoração, doces e comidas especiais? Quantas viagem já fizemos no feriado da Semana Santa? Agora me diga, sinceramente: Quantas vezes nós passamos a páscoa nos preocupando unicamente em celebrara liberdade que Cristo conquistou para nós? Quantas vezes deixamos o mundo seguir o curso fútil de seu comércio e comemorações “não-se-sabe-a-que” e nos ocupamos unicamente em louvar a Deus por este plano maravilhoso de redenção e vida?
Eis então o convite: Deixe todos os pensamentos, todas as imagens, todas as comemorações seculares e envolva-se com aquEle que criou a páscoa, e que é o verdadeiro sentido e significado da páscoa: Jesus! Você pode até argumentar que a páscoa está no final, que agora “só no ano que vem”, mas o fato é que ainda há tempo. Deus merece receber louvores pelo plano da redenção todos os dias, e não só na Semana Santa.
Louve a Deus pelo que fez por nós.
Louve a Deus pela páscoa de Cristo Jesus.

Amém.
Pr. Luiz Henrique Cabral

15 de abril de 2011

O centro da páscoa

A páscoa é uma festa lembrada por muitos, pena que nem sempre pelos motivos certos. Aliás, a maioria das pessoas nem sabe quais são os motivos certos. Quando se fala de festa cristã lembramos logo do natal. Mas e a páscoa? Ah! Sim. Páscoa é a festa mais doce do ano, por causa dos chocolates, onde o coelho é o personagem principal e onde escondemos ovos de chocolate para as crianças acharem!
Mas, e Jesus? O que Ele tem a ver com a páscoa? Onde Ele fica em tudo isso?
Páscoa, na verdade, é a celebração da liberdade de um povo: o povo de Deus. A primeira páscoa foi celebrada por ordem de Deus, na noite em que o anjo da morte desceu ao Egito e matou todos os primogênitos que não estivessem protegidos pelo sangue do cordeiro em suas portas.
Na verdade essa festa foi criada por Deus na intenção de nos ensinar que um dia viria um libertador, não um simples humano, mas o próprio Filho de Deus, para nos libertar não da escravidão terrena, mas da escravidão do pecado, e para nos fazer entrar não em uma nova terra na qual habitaríamos até a morte, mas para nos introduzir em uma terra em que jamais veremos a morte. Por isso é que a páscoa é a festa mais importante para o cristianismo, porque ela celebra nossa nova vida em Cristo, livres do pecado e da morte eterna.
Não se engane, o diabo quer que deixemos de nos lembrar de tudo isso, e para isso ele usa doces, meigas e demoníacas estratégias, tais como lindos coelhos brancos e deliciosos ovos de chocolate.
Jamais se esqueça de que o centro da páscoa é Jesus.
A páscoa é Jesus.
Pr. Luiz Henrique

9 de abril de 2011

Escândalo e morte no Rio de Janeiro

"porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos." Mateus 24:24

O mundo inteiro parou para observar os noticiários da quinta feira, 07 de abril de 2011, quando um rapaz armado entrou em uma escola carioca e alvejou 29 alunos que tinham entre 12 e 14 anos. Foi um choque! Foi um escândalo. Todos os jornais falavam disso. Muitos, apenas disso.
Muitas coisas ainda chocam, ainda nos são escandalosas, ainda chamam a atenção por serem muito diferentes daquilo que consideramos normal. Ainda bem! E ainda bem que o caso dessa quinta feira, no Rio, ninguém achou normal.
Mas o preocupante não é quando surgem os escândalos. O real problema é quando não nos escandalizamos com aquilo que está errado, quando achamos normal algo que Deus condena, quando consentimos com uma prática ou com um ensinamento que não está de acordo com a Bíblia. E o diabo age assim, colocando diante de nós situações que apesar de erradas ou pecaminosas não são consideradas escandalosas. É assim que ele introduz os falsos profetas e os falsos ensinos no mundo. Quando deseja desviar da fé um grupo de leais seguidores de Jesus Cristo, ele apresenta uma mentira disfarçada de verdade, um engano maquiado, uma armadilha camuflada.
Esse é o real desafio do cristão: manter-se bem instruído na Palavra para que seja capaz de identificar o menor traço de sujeira, o mínimo sinal de falsidade ou mesmo um leve cheiro de enxofre infernal em qualquer ensino ou prática.
Que todos vivamos esse desafio para que não sejamos enganados pelo inimigo de nossas almas.
Deus nos abençoe e nos instrua a todos.

2 de março de 2011


O piquenique das tartarugas

Algumas coisas de nossa infância ficam marcadas para sempre e moldam nossos gostos e valores. No meu caso, por exemplo, por ter uma mãe que tinha o hábito de, antes de dormir, sentar conosco no quarto para contar fábulas, histórias e estórias que nos conduzem à reflexão, cresci valorizando muito os ensinamentos que esses contos nos proporcionam. Pensando nisso, resolvi compartilhar com os irmãos uma dessas estórias que nos apresentam preciosos ensinamentos. É a estória do piquenique das tartarugas.
Uma família de tartarugas decidiu sair para um piquenique. As tartarugas, sendo naturalmente lentas, levaram 7 anos preparando-se para o passeio. Passados 6 meses, após acharem o lugar ideal, ao desembalarem a cesta de piquenique descobriram que estavam sem sal. Então, designaram a tartaruga mais nova (por ser a mais rápida) para voltar em casa e pegar o sal. A pequena tartaruga lamentou, chorou e esperneou, mas acabou por concordar em ir, com uma condição: que ninguém comeria até que ela retornasse.
Três anos se passaram...... Seis anos.........e a pequenina não tinha retornado.
Ao sétimo ano de sua ausência, a tartaruga mais velha já não suportando mais a fome, decidiu desembalar um sanduíche. Nesta hora, a pequena tartaruga saiu de trás de uma árvore e gritou:
- Viu! Eu sabia que vocês não iam me esperar. Agora que eu não vou mesmo buscar o sal.
Moral da história: algumas vezes em nossa vida desperdiçamos nosso tempo esperando que as pessoas vivam à altura de nossas expectativas. Ficamos tão preocupados com o que os outros estão fazendo que deixamos de fazer o que nos compete.
Pensando nisso, vivamos nossa vida e deixemos de nos preocupar com o que é trabalho ou função do outro.

“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (I Coríntios 10:31)

22 de outubro de 2010

Tende Bom Ânimo


Marcos 10:46-52
46 - Quando ele saía de Jericó, juntamente com os discípulos e numerosa multidão, Bartimeu, cego mendigo, filho de Timeu, estava assentado à beira do caminho 47 - e, ouvindo que era Jesus, o Nazareno, pôs-se a clamar: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim! 48 - E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele cada vez gritava mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim! 49 - Parou Jesus e disse: Chamai-o. Chamaram, então, o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, ele te chama. 50 - Lançando de si a capa, levantou-se de um salto e foi ter com Jesus. 51 - Perguntou-lhe Jesus: Que queres que eu te faça? Respondeu o cego: Mestre, que eu torne a ver. 52 - Então, Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E imediatamente tornou a ver e seguia a Jesus estrada fora.

Há poucos dias, na Itália, o time do Brasil conquistou o título de “tri-campeão mundial de vôlei masculino”, e quem já assistiu a algum jogo dessa seleção sabe que o técnico do time brasileiro é famoso por não ficar parado ou calado por um segundo sequer durante os jogos. Ele sempre passa o jogo todo imprimindo ânimo no time.
O mesmo se dá enquanto igreja e enquanto cristãos. Precisamos ter em mente que em nossa caminhada com Deus o ânimo é fundamental.
É fato que Deus já nos deu motivos de sobra para ficarmos animados, mas não é esse o foco dessa mensagem de hoje.
Ao invés disso, quero apresentar a vocês, olhando para o texto lido, 3 momentos em que o ânimo é essencial para a igreja de Deus; 3 circunstâncias em que o ânimo se faz necessário.
Vamos lá:
1) - A igreja precisa ter ânimo para clamar a Cristo.
Antes de falar do nosso texto, quero lembrar que muitos milagre de Jesus haviam sido realizados pouco antes dessa passagem. Próximo a essa história há o relato de uma cura de um jovem possesso, a cura de um surdo e gago, a segunda multiplicação dos pães uma até mesmo a cura justamente de um cego, em Betsaida.
Portanto, já deveria ter chegado aos ouvidos de Bartimeu, o homem de nossa história, a fama de Jesus, tanto é que o chamou de Filho de Davi.
Aposto que as pessoas que passavam por aquele cego acabavam comentando: “Olha, um tal de Jesus anda por aí curando as pessoas. Dizem que curou um cego em uma cidade próxima daqui. Quem sabe Ele não poderia curar você também?!”
Qual, então, não teria sido a alegria de Bartimeu ao receber a notícia de que esse Jesus estava passando bem ali, na sua frente!
Mas Bartimeu, por ser cego, não sabia para que lado se dirigir. Não sabia nem mesmo se Jesus ainda estava longe ou se já tinha passado.
No entanto, tinha uma coisa que Bartimeu sabia: ele sabia que não podia desperdiçar aquela chance que estava tendo. E foi exatamente por disso que ele encheu-se de ânimo e passou a gritar: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!”
E o verso 48 nos diz que as pessoas em volta mandavam que ele se calasse. Em resposta a isso, o texto diz que Bartimeu gritava ainda mais “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!”
Se Bartimeu não tivesse ânimo suficiente não teria clamado pela compaixão de Jesus, ou talvez até tivesse clamado, mas teria silenciado no momento em que as pessoas o mandassem ficar quieto.
E conosco acontece da mesma forma: precisamos ter ânimo para clamar a Cristo, e precisamos saber que o mundo sempre vai nos mandar calar a nossa voz. A televisão nos manda correr em sentido contrário ao que a Bíblia prega. Nossos amigos e nossos patrões nos mandam lutar com as nossas próprias forças para atingir os alvos desejados. As circunstâncias nos fazem pensar que Cristo não nos ouvirá.
A igreja precisa ter ânimo para clamar a Cristo.
O ânimo que Bartimeu demonstrou precisa ser encontrado também em nosso meio hoje. O mesmo Jesus que atendeu ao pedido daquele homem também nos disse: pedi e dar-se-vos-á, buscai e achareis, batei e abrir-se-vos-á. O ânimo que aquele cego teve em clamar a Jesus por compaixão também precisa estar dentro de cada um de nós para que peçamos a Deus por nossas necessidades, busquemos pelas respostas e pelos milagres de Deus e batamos nas portas do céu através das nossas orações. Pedi e dar-se-vos-á, buscai e achareis, batei e abrir-se-vos-á.
A igreja precisa ter ânimo para clamar a Cristo.

2) - A igreja precisa ter ânimo para experimentar milagres.
Lendo os versos 49 até o 51 vemos que Bartimeu não estava apenas querendo chamar a atenção de Jesus para que este lhe fosse ao encontro. Ele estava animado o suficiente para lançar de si a capa, para levantar-se de um salto e para ir ter com Jesus, como o texto nos mostra.
Depois de ter contado toda essa história preciso lembrar a cada um de vocês que o Jesus que trouxe cura e libertação ao cego Bartimeu ainda permanece em nosso meio hoje.
O poder que venceu a morte, que multiplicou pães e peixes, que restaurou a vista aos cegos e tudo o mais, não está perdido em um passado distante, mas faze parte da nossa realidade também. O Jesus de ontem é o mesmo de hoje. Deus não muda. Ele ainda é o mesmo e Seu poder também.
Da mesma forma como Jesus estava ao lado de Bartimeu, também está ao nosso lado hoje. Se aquele homem, sentado na beira do caminho, precisava clamar por Cristo para ser atendido em seus pedidos, conosco não acontece diferente.
Da mesma forma como Jesus estava bem na frente de Bartimeu mas este não conseguia saber ao certo onde, pois seus olhos estavam fechados, também afirmo que Ele está todos os dias aqui, ao nosso redor, passando na nossa frente, curando pessoas, respondendo orações, libertando de vícios, reconstruindo famílias, e nós como Bartimeu, apesar de estarmos no meio de tudo isso, muitas vezes não conseguimos ver nada. Não sabemos se Cristo ainda está aqui ou se já foi. Não sabemos se já chegou ou se ainda vem.
É necessário entender que Jesus nunca teve a intenção de passar despercebido. Nem naquele tempo, nem aqui, ao nosso lado. Mas também precisamos entender que é nosso papel clamar pela compaixão e pela misericórdia dEle. Sem ânimo não experimentaremos dos milagres que Ele tem preparado para dar aos seus filhos. É por isso que eu digo que precisamos ter ânimo para experimentar milagres.
Muitas outras pessoas têm tido a oportunidade de ter orações respondidas. Muitas mães têm resgatado seus filhos e seus maridos do mundo. Muitas igreja têm experimentado crescimento em número e em qualidade. Muitos crentes têm sido usados por Deus para fazer milagres e para salvar vidas do inferno e tudo isso porque simplesmente tiveram ânimo suficiente para clamar: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!
Ânimo é a vontade de colocar sua fé em prática. Ânimo é correr para a Bíblia todo instante em eu você encontra um tempo livre na sua agenda. Ânimo é você se dispor para exercitar durante a semana aquilo que o pastor pregou domingo à noite. Ânimo é você dobrar os joelhos todos os dias em oração, clamando a Deus para que atenda a oração dos Seus servos.
A igreja precisa ter ânimo para experimentar milagres.

3) - A igreja precisa ter ânimo para seguir ao Mestre.
Vemos, no fim do texto, que Bartimeu não era um homem de muitas posses. Ainda assim, quando disseram que Jesus o chamava, lançou de si a capa, se desprendendo de tudo o que tinha de mais valioso, e partiu na direção de Cristo. Seguir ao Mestre, portanto, significa fazer com aquele homem fez: abrir mão das coisas velhas.
Note bem, não estou dizendo que precisamos largar emprego, estudos e família no momento em que resolvemos seguir a Cristo. Só estou afirmando que, se for necessário largar alguma coisa, precisaremos nos animar em fazê-lo.
Além de tudo isso, Bartimeu estava largando tudo aquilo que ele conhecia como vida até então, pois se permanecesse à beira do caminho, certamente iria conseguir as esmolas de todo dia para garantir comida. Sua cegueira lhe dava segurança. Enquanto cego, tinha garantias de um futuro bem alimentado.
Quando ele escolheu abrir mão da cegueira estava ao mesmo tempo dando um passo na direção da incerteza quanto ao futuro. Após enxergar, não mais poderia depender das esmolas.
Mesmo assim ele resolveu seguir o Mestre. Seu ânimo o fez não se importar a grande interrogação que sua vida seria dali em diante.
Conosco, as vezes, o que ocorre é que queremos que Deus conduza a nossa vida, mas não queremos Lhe entregar a direção. Não foi a isso que Cristo nos convidou. Ele nos convidou para o seguirmos sem reservas, e isso não é fácil.
É por isso que eu disse que a igreja precisa ter ânimo para seguir ao Mestre.
Seguir ao Mestre implica em andar nos caminhos que ele andou. Bartimeu, dali em diante, não poderia mais andar em uma direção somente porque queria. Ele precisaria andar na mesma direção que Cristo estava andando. Se Jesus tomasse o caminho mais longo, Bartimeu teria que fazer o mesmo. Se Jesus tomasse o caminho mais empoeirado ou mais perigoso, Bartimeu teria sempre que fazer o mesmo.
Até onde você está disposto a seguir a Cristo? Até onde está seu ânimo em correr atrás daquele que te deu a vida eterna? Até onde você aceita andar pelos mesmos caminhos que Cristo andou? É preciso ter ânimo para seguir ao Mestre.

Conclusão: Eu quero concluir esse sermão dizendo que se você não está animado o suficiente, pode ser que as pessoas ao seu redor clamem por socorro de Cristo e que você permaneça mudo como se Cristo não te interessasse. Pode ser que Jesus passe ao seu lado e você continue tão cego quanto antes. Pode ser que outros resolvam seguir ao Mestre e você permaneça no caminho, enrolado na sua capa velha, que te dá uma falsa sensação de segurança e um abrigo que mal te protege do frio.
Pode ser que você passe o resto da vida sentado na beira do caminho, de onde você vê todos os outros passando, mas sabendo que você mesmo nunca sairá do lugar.
Pode ser que você chegue ao final da sua vida e perceba que tudo o que você conseguiu foram algumas esmolas que te garantiram o pão de cada dia, mas não foram muito além disso.
Tende bom ânimo. Acorde para a vida e perceba que Cristo pode fazer muito por cada um de nós.

Que Deus abra os nossos olhos para que vejamos.

Amém!

22 de junho de 2010

O problema educacional


Olá!

Todos os dias surgem na TV, livrarias, consultórios, rádios e conversas de esquina informações novas acerca das maneiras “modernas” e “corretas” de se criar filhos. Consenso, é claro, é algo impossível nesse meio, mas há formas melhores e outras, digamos, nem tanto, de se educar os pimpolhos.

Millôr Fernandes nos apresenta uma fábula da mãe moderna diante do problema de educação na pós-modernidade.

Saboreiem essa pérola e aprendam o que for possível.


Um abraço.


A pobre mãezinha levou o filhinho ao psicanalista porque ele era incapaz de comer qualquer coisa. Ou coisa alguma. Só gostava de comer o impossível. O médico examinou o crescimento mental do menino e recomendou à mãe (dele) que não forçasse o menino a comer o que ele não gostasse.

Percebia-se nitidamente que era um jovenzinho de formação extravagante a quem se deveria oferecer apenas pratos ímpares. Assim foi que a mãezinha, muito da psicanalítica, chegou em casa e perguntou ao filhinho o que é que ele gostaria de comer. O menino nem titubeou. Disse logo:

- "Uma lagartixa".

Com grande repugnância e não menor dificuldade, a mãe(zinha) conseguiu caçar uma lagartixa e deu-a ao menino. O menino olhou a lagartixa com igual ânsia, um olho pra cá, outro pra lá, os dois olhos parando lá em cima e exclamou:

- Como é que a senhora pretende que eu coma essa porcaria assim crua. Não tem sequer manteiga?

A mãe, sempre mãe, psicanaliticamente orientada, pegou a lagartixa, pô-la na frigideira e fritou-a como o menino desejava.

- Está bem agora? - perguntou ao menino.

- Não - respondeu a peste, - parte ao meio.

A mãezinha tão Kleiniana, coitada, fez o que o menino mandava. O menino olhou a mãezinha, a mãezinha olhou o menino, o menino mexeu um olho, a mãe baixou a cabeça meio centímetro, o menino mexeu o outro olho, a mãe voltou com a cabeça à posição anterior e aí o menino impôs:

- Eu só como a lagartixa se a senhora comer metade.

- Então come que depois eu como - disse a mãe.

- Não, você tem que comer primeiro - disse o menino.

A mãezinha sentiu uma golfada de nojo, mas, que ia fazer? Mãe é mãe e, além do mais, ela tinha tantas raízes junguianas! Fechou os olhos e, para não sentir, com um gesto rápido, jogou metade da lagartixa dentro da goela, engoliu. O menino olhou-a firme, olhou a metade da lagartixa dentro na frigideira e começou a chorar:

- "Ah, ah, ah!… A senhora comeu exatamente a metade que eu gosto. Essa daí eu não como de jeito nenhum."


Moral: Quando você tiver de engolir um sapo, não há o que escolher. Mas quando tiver que engolir metade do sapo escolha sempre a metade que coaxa.

Submoral: Dizem alguns historiadores que a mãe pegou e deu uma bruta surra no garoto. Mas os historiadores que abraçam essa versão não sabem os terríveis traumas (ai, freudianos) que causam na infância esses choques físico-morais provocados por espancamentos. Todas as mães modernas preferem comer lagartixas.


Do livro: Fábulas Fabulosas Millôr Fernandes-Círculo do Livro Instituto de Aprendizagem e Comunicação Empresarial



Fonte: http://www.metaforas.com.br/metaforas/g57metaf.asp

15 de abril de 2010

Tentação de Cathy


Recentemente vi num Cartum da “Cathy” que ilustra muito bem o que pode acontecer conosco quando não controlamos imediatamente os pensamentos. Na historinha, Cathy, como sempre, está em luta com o regime.

1. Vou dar uma volta de carro, mas não vou nem chegar perto do supermercado.
2. Vou passar perto do supermercado, mas não vou entrar.
3. Vou entrar no supermercado, mas não vou à gôndola onde estão os docinhos.
4. Vou olhar os docinhos, mas não vou pegar nenhum.
5. Vou pegar os docinhos, mas não vou compra-los.
6. Vou comprar os docinhos, mas não vou abrir a embalagem.
7. Vou abrir a embalagem, mas não vou cheira-los.
8. Vou cheirar, mas não vou provar.
9. Vou provar, mas não vou comer.
10. Vou comer... comer, comer, comer, comer!!!

Observe esta história e responda: quando foi que Cathy perdeu a batalha contra a gula? Muitos dirão que foi no 10. Alguns talvez afirmem que foi no 9. Contudo, quem respondeu 2, acertou. No instante em que ela tomou a decisão aparentemente inofensiva de passar perto do supermercado, perdeu a luta.
Existem muitas pessoas perdendo a luta contra a tentação e o pecado da mesma forma como Cathy. Perdemos quando não atentamos para o tamanho da tentação e supervalorizamos nosso poder de resistência.

(Gary J. Oliver – Como acertar depois que você já errou)